Quais são os sintomas da fascite plantar?

Você acorda, põe o pé no chão e sente uma pontada no calcanhar. Depois de alguns passos a dor alivia. No fim do dia, ela volta.

Se a cena é conhecida, confira os outros sinais da fascite plantar:

  • Dor na parte de dentro do calcanhar, na sola do pé.
  • Pontada ao levantar depois de um tempo sentada, seja no trabalho, no carro ou no sofá.
  • Dor ao apertar a base do calcanhar.
  • Piora ao andar descalça em piso duro, subir escada ou passar muitas horas em pé.
  • Um pé só, na maioria dos casos.

Formigamento, queimação, dormência ou dor que acorda você à noite fogem desse padrão. A causa pode ser outra, como um nervo comprimido ou uma fratura por estresse, e vale investigar antes de tratar.

O que é a fascite plantar?

A fáscia plantar é uma faixa de tecido firme que liga o calcanhar à base dos dedos. Ela sustenta o arco do pé e estica a cada passo.

Na fascite plantar, essa faixa se lesiona no ponto onde se prende ao osso do calcanhar, o calcâneo. Apesar do nome, o problema tem mais de desgaste do que de inflamação: microlesões se acumulam mais rápido do que o corpo consegue reparar.

Isso explica duas queixas comuns. A dor dura meses, e o anti-inflamatório sozinho resolve pouco.

É frequente: responde por cerca de 15% das dores no pé e aparece mais entre 40 e 60 anos, segundo a diretriz de dor no calcanhar publicada no JOSPT em 2023. Fasceíte plantar e fasciopatia plantar são outros nomes para a mesma condição.

Como funciona a terapia por ondas de choque?

No vídeo abaixo, com pouco mais de um minuto, a Dra. Tássia Tuan apresenta a terapia por ondas de choque. É o tratamento que ela usa no consultório quando a fascite plantar não cede.

O aparelho aplica pulsos de energia mecânica no calcanhar, por fora da pele. Esses pulsos estimulam o tecido a retomar o reparo e diminuem a sensibilidade à dor na região. O nome assusta, mas não existe choque elétrico.

Na sua rotina, isso significa:

  • Nenhum corte, nenhuma agulha e nenhuma anestesia.
  • Poucos minutos por sessão, no consultório.
  • Você sai andando e segue o dia normalmente.
  • Em geral, de três a cinco sessões, uma por semana.

Durante a aplicação você sente pancadas rápidas no calcanhar. Incomoda, e a intensidade é ajustada ao que você tolera.

As ondas de choque são boas para fascite plantar?

São, e estão entre as opções mais estudadas para quem convive com a dor há meses.

Uma revisão da Universidade Federal da Bahia, publicada em 2023 na Clinical Rehabilitation, reuniu 236 estudos com 15.401 pacientes. Vários tratamentos aliviaram a dor nas primeiras semanas. A médio e longo prazo, só as ondas de choque mantiveram a melhora em relação ao grupo controle.

Num ensaio clínico com 250 pacientes publicado em 2015 no Journal of Bone and Joint Surgery, todos com dor havia pelo menos seis meses, a dor no calcanhar caiu 69,2% com ondas de choque. No grupo que recebeu uma aplicação simulada, caiu 34,5%.

O resultado melhora quando as sessões vêm junto com alongamento e fortalecimento. O aparelho abre uma janela de menos dor, e o exercício segura a melhora depois.

Quando as ondas de choque são indicadas?

A indicação mais comum é a fascite plantar que continua doendo depois de três a seis meses de tratamento bem feito. Também pode entrar antes, quando a dor impede você de trabalhar ou de fazer os exercícios que resolveriam o quadro.

Algumas situações contraindicam ou pedem cuidado:

  • Gravidez.
  • Distúrbio de coagulação ou uso de anticoagulante.
  • Infecção, ferida ou tumor na região.
  • Crianças e adolescentes com a cartilagem de crescimento do calcanhar ainda aberta.

A avaliação antes da primeira sessão serve para checar esses pontos.

Quantas sessões de ondas de choque são necessárias?

Em geral, de três a cinco sessões, uma por semana. O número exato depende de há quanto tempo a dor existe e de como você responde às primeiras aplicações.

Nos dias seguintes a cada sessão o calcanhar pode ficar vermelho e um pouco dolorido. A orientação costuma ser evitar corrida e impacto por um ou dois dias e manter os alongamentos.

Quanto tempo as ondas de choque levam para fazer efeito?

Algumas pessoas sentem alívio já nas primeiras sessões. O efeito principal vem aos poucos, nas semanas seguintes, enquanto o tecido se reorganiza, e os estudos costumam medir o resultado cerca de três meses depois do início.

Se nada mudou depois do ciclo completo, o passo certo é rever o diagnóstico, e não repetir sessões sem fim.

Qual é a causa da fascite plantar?

A causa é carga repetida na fáscia, maior do que ela aguenta por um período. Quase sempre algo mudou pouco antes da dor começar.

Talvez você tenha começado a correr ou aumentado a distância. Talvez tenha passado a ficar mais horas em pé, ganhado peso ou trocado para um calçado sem amortecimento. A diretriz do JOSPT lista estes fatores de risco:

  • Panturrilha encurtada, que limita o movimento do tornozelo para cima.
  • Sobrepeso, em quem não é atleta.
  • Corrida.
  • Trabalho em pé por muitas horas, principalmente em piso duro.

O esporão de calcâneo causa a dor no calcanhar?

Se o seu raio-x mostrou esporão, saiba que na maioria das vezes não é ele que dói.

O esporão de calcâneo é um pequeno bico de calcificação no ponto onde a fáscia se prende ao osso. Muita gente tem esporão e nunca sentiu dor, e muita gente com fascite plantar não tem esporão nenhum.

Ele mostra que a região recebe tração há muito tempo, mas quem dói é a fáscia sobrecarregada. Por isso tirar o esporão com cirurgia raramente resolve, e o tratamento é o mesmo descrito aqui. O artigo sobre esporão de calcâneo explica o que o raio-x mostra.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico. A conversa sobre como a dor começou e o exame do pé costumam bastar: a médica aperta pontos do calcanhar, testa a mobilidade do tornozelo e observa como você pisa.

Exame de imagem entra quando há dúvida. O ultrassom mostra a fáscia espessada e ajuda a acompanhar a evolução. Radiografia ou ressonância servem para descartar fratura por estresse ou lesão do coxim de gordura do calcanhar. Dor nos dois pés junto com dor em outras articulações pede investigação reumatológica.

O que é bom para desinflamar a fascite plantar?

Mais do que desinflamar, o que melhora a fascite plantar é tirar carga da fáscia e fortalecer o pé. Este é o tratamento de base, e a diretriz do JOSPT de 2023 dá o grau de recomendação mais alto para vários destes itens:

  • Alongamento específico da fáscia e da panturrilha, várias vezes ao dia. O passo a passo está em exercícios para fascite plantar.
  • Terapia manual nas articulações e nos tecidos do pé e da perna.
  • Bandagem no pé, que alivia a dor nas primeiras semanas.
  • Órtese noturna por um a três meses, para quem tem dor forte no primeiro passo. Ela mantém a fáscia esticada durante o sono.
  • Fortalecimento dos músculos do pé e do tornozelo.
  • Palmilha junto com os outros tratamentos. Sozinha, ela rende pouco.

Calçado com bom amortecimento e uma pausa na atividade que provocou a dor completam o plano. Repouso absoluto não ajuda, porque a fáscia precisa de carga dosada para se recuperar.

E o anti-inflamatório? Ele alivia a dor por alguns dias numa crise e pode ter lugar no começo, com orientação médica. Nenhum deles trata o tecido, e usar por semanas seguidas traz risco para o estômago, os rins e a pressão.

Quais são as opções de tratamento da fascite plantar?

As opções vão do alongamento, base do tratamento, até a cirurgia, reservada para poucos casos. A tabela resume para que serve cada uma e quando entra, segundo a diretriz do JOSPT (2023) e a revisão da Clinical Rehabilitation (2023).

Opções de tratamento da fascite plantar: para que serve cada uma e quando entra
OpçãoPara que serveQuando entra
Alongamento e fortalecimentoAlonga a fáscia e a panturrilha, fortalece o pé e o tornozelo e reduz a tração no calcanhar.Base do tratamento, desde o primeiro dia.
Ajuste de carga e calçadoDiminui o estresse repetido sobre a fáscia enquanto ela se recupera.Desde o início, junto com o exercício.
Bandagem e palmilhaAliviam a carga na fáscia e a dor nas primeiras semanas.Como apoio ao exercício. Sozinhas, rendem pouco.
Órtese noturnaMantém a fáscia esticada durante o sono e reduz a dor do primeiro passo.Dor forte ao acordar, por um a três meses.
Anti-inflamatórioAlivia a dor por alguns dias.Crises, por pouco tempo e com orientação médica.
Terapia por ondas de choqueEstimula o reparo do tecido e reduz a dor, com efeito mantido a médio e longo prazo.Dor que persiste por três a seis meses apesar do tratamento conservador.
Infiltração de corticoideAlívio rápido, que tende a durar semanas.Casos selecionados. Tem risco de atrofia do coxim do calcanhar e de ruptura da fáscia.
CirurgiaLibera parte da fáscia para diminuir a tensão.Exceção, depois de 6 a 12 meses de tratamento bem conduzido sem resposta.
Diagrama em quatro etapas do tratamento da fascite plantar: primeiro alongamento, fortalecimento e ajuste de carga; depois bandagem, palmilha e órtese noturna como apoio; se a dor persiste por três a seis meses, terapia por ondas de choque; e, sem resposta após 6 a 12 meses, revisão do diagnóstico e avaliação cirúrgica.
As etapas do tratamento da fascite plantar, da base conservadora às ondas de choque e, raramente, à cirurgia.

Quanto tempo leva para curar a fascite plantar?

A recuperação leva de alguns meses a um ano. Segundo a diretriz do JOSPT, muita gente só procura ajuda depois de um ano convivendo com a dor, e essa espera alonga o caminho.

Fascite plantar tem cura no sentido prático: a dor vai embora e você volta a caminhar, correr e trabalhar em pé. Ela pode voltar se a sobrecarga voltar, e por isso o plano inclui o que fazer depois da melhora.

Como curar a fascite plantar mais rápido?

Não existe atalho, mas dá para parar de perder tempo. Faça os alongamentos todos os dias, e não só quando dói. Reduza a atividade que provocou o quadro sem parar de se movimentar. E trate cedo.

O que costuma atrasar: infiltrações repetidas e trocas de palmilha sem exercício junto.

O que não pode fazer quem tem fascite plantar?

  • Andar descalça ou de chinelo fino em piso duro por muito tempo.
  • Aumentar de repente a distância ou o ritmo da corrida.
  • Ficar em repouso total esperando a dor passar.
  • Repetir infiltração de corticoide várias vezes no mesmo calcanhar.

Quando a cirurgia entra na conversa?

A cirurgia libera parte da fáscia para diminuir a tensão sobre o calcanhar. Ela fica para quem passou de 6 a 12 meses de tratamento bem conduzido, ondas de choque incluídas, sem melhora. Antes de operar, vale confirmar que a dor vem mesmo da fáscia.

Onde fazer ondas de choque em Taubaté?

A Dra. Tássia Tuan faz a avaliação e as sessões de ondas de choque no consultório em Taubaté, na R. Argentina, 75, Jardim das Nações. Pacientes de São José dos Campos, Pindamonhangaba, Caçapava, Tremembé e outras cidades do Vale do Paraíba são atendidos ali. Veja mais sobre o consultório em fisiatra em Taubaté.

Mora longe? A primeira avaliação pode ser por telemedicina, de qualquer cidade do Brasil. Nela a médica confirma o diagnóstico e monta o plano de exercícios. As sessões de ondas de choque são sempre presenciais.

Perguntas frequentes

Terapia por ondas de choque dói?

Incomoda. Durante a aplicação você sente pancadas rápidas no calcanhar, e a intensidade é ajustada ao que você tolera. Não precisa de anestesia. Nos dias seguintes o local pode ficar vermelho e um pouco dolorido.

Quantas sessões de ondas de choque são necessárias para fascite plantar?

Em geral, de três a cinco sessões, uma por semana. O número exato é definido na avaliação, conforme o tempo de dor e a resposta às primeiras sessões.

Já tentei de tudo e a dor continua. As ondas de choque ainda podem ajudar?

Esse é justamente o caso em que elas são mais indicadas: dor que persiste depois de meses de tratamento conservador. Na avaliação, a médica também revê como os tratamentos anteriores foram feitos, porque às vezes falta só ajustar o exercício.

Fascite plantar tem cura?

Tem. A maioria das pessoas melhora sem cirurgia, com alongamento, fortalecimento e ajuste de carga, e as ondas de choque ajudam quem continua com dor depois de meses. A recuperação leva de alguns meses a um ano, e a dor pode voltar se a sobrecarga voltar.

Qual é a diferença entre fascite plantar e esporão de calcâneo?

Fascite plantar é a lesão da fáscia no ponto onde ela se prende ao calcanhar, e é ela que dói. O esporão é uma calcificação que pode aparecer nesse mesmo ponto na radiografia e muitas vezes não causa dor. O tratamento mira a fáscia.

Posso continuar caminhando ou correndo com fascite plantar?

Na maioria dos casos, sim, com carga reduzida. Repouso total não ajuda. O ajuste de distância, ritmo e piso é combinado na consulta e revisto conforme a dor melhora.