O que faz o ortopedista?
O ortopedista trata lesões e doenças da estrutura do sistema musculoesquelético: ossos, articulações, ligamentos, tendões. É quem você procura em caso de fratura, lesão que pode precisar de cirurgia, ou problema estrutural bem definido. No Brasil, o nome oficial da especialidade é Ortopedia e Traumatologia, reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina.
O que faz o médico fisiatra?
O fisiatra, médico especialista em Medicina Física e Reabilitação, olha para a função e não só para a estrutura. A pergunta dele é outra: o que essa condição está impedindo essa pessoa de fazer, e como recuperar isso sem cirurgia sempre que der? O tratamento junta reabilitação física, procedimentos como bloqueio e infiltração, e acompanhamento contínuo.
Fisiatra faz cirurgia?
Não. O fisiatra não realiza cirurgias e conduz o tratamento clínico, a reabilitação e, quando indicados, procedimentos ambulatoriais como infiltrações e bloqueios. Segundo a Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR), a especialidade atua na prevenção, no diagnóstico e no tratamento não cirúrgico de problemas que comprometem o movimento, a força e a função do corpo.
Procedimento ambulatorial é aquele feito no consultório ou em sala de procedimento, sem internação. Na infiltração, o medicamento é aplicado em um ponto específico, como uma articulação, um tendão ou um músculo. No bloqueio, a aplicação é feita perto de um nervo ligado à dor. Os dois só entram quando há indicação e servem de apoio à reabilitação: a ideia é aliviar a dor para que o paciente consiga avançar nos exercícios, e não substituir o plano de tratamento.
Quando a avaliação mostra que o caso é cirúrgico, o fisiatra encaminha para o cirurgião. Isso não encerra o acompanhamento. A ABMFR inclui entre os objetivos da especialidade a recuperação funcional depois de uma cirurgia, e é comum que fisiatra e cirurgião acompanhem o mesmo paciente em fases diferentes.
Qual a diferença entre fisiatra e ortopedista na prática?
A principal diferença está no foco: o ortopedista cuida da estrutura do corpo e indica cirurgia quando ela é necessária; o fisiatra cuida da função, trata a dor e conduz a reabilitação sem cirurgia. Os dois são médicos, podem pedir exames e prescrever remédios, e muitas vezes trabalham juntos no mesmo caso.
- Ortopedista cuida da estrutura: osso quebrado, articulação lesionada, indicação cirúrgica.
- Fisiatra cuida da função: aliviar a dor, recuperar movimento, devolver qualidade de vida, priorizando o tratamento não cirúrgico.
Os dois são médicos e podem prescrever remédio. A diferença está na abordagem e no tipo de intervenção que cada um prioriza. Em reabilitação depois de lesão ou cirurgia ortopédica, os dois costumam trabalhar juntos.
| Ortopedista | Fisiatra | |
|---|---|---|
| Foco | A estrutura: ossos, articulações, ligamentos, tendões. | A função: o que a condição está impedindo a pessoa de fazer. |
| O que trata | Fratura, lesão que pode precisar de cirurgia, problema estrutural bem definido. | Dor crônica, fibromialgia, cervicalgia, artrose, dor pós-operatória. |
| Tipo de intervenção | Indicação e realização de cirurgia quando necessária. | Reabilitação física, bloqueios e infiltrações, acompanhamento contínuo. |
| Quando procurar | Suspeita de fratura, lesão aguda ou necessidade de avaliação cirúrgica. | Quando você já tentou tratamento pontual e falta um plano contínuo que trate a causa. |
Fisiatra, ortopedista, reumatologista e fisioterapeuta: qual a diferença?
Fisiatra, ortopedista e reumatologista são médicos de especialidades diferentes, reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. O fisioterapeuta não é médico: é profissional de nível superior formado em Fisioterapia. Em resumo, o fisiatra cuida da função e da dor, o ortopedista da estrutura, o reumatologista das doenças reumáticas e o fisioterapeuta aplica as técnicas de reabilitação física.
| Profissional | Formação | Foco | Quando procurar |
|---|---|---|---|
| Fisiatra | Medicina e título de especialista em Medicina Física e Reabilitação, por residência médica ou prova de título da AMB (3 anos na especialidade). | Função, dor e reabilitação, com tratamento não cirúrgico. | Dor que persiste, perda de movimento ou de autonomia, recuperação depois de lesão, AVC ou cirurgia. |
| Ortopedista | Medicina e título de especialista em Ortopedia e Traumatologia, por residência médica ou prova de título da AMB (3 anos na especialidade). | Estrutura: ossos, articulações, ligamentos e tendões, com cirurgia quando indicada. | Suspeita de fratura, lesão aguda ou necessidade de avaliação cirúrgica. |
| Reumatologista | Medicina e título de especialista em Reumatologia, por residência médica ou prova de título da AMB. | Diagnóstico e tratamento clínico das doenças reumáticas. | Suspeita ou diagnóstico de artrite reumatoide, lúpus, gota, espondiloartrite ou outra doença reumática. |
| Fisioterapeuta | Graduação em Fisioterapia, curso de nível superior. Não é médico. | Métodos e técnicas fisioterápicos para restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física. | Para as sessões de exercícios e terapias físicas, muitas vezes dentro de um plano definido com o médico. |
Na prática, esses profissionais se complementam. A ABMFR descreve o fisiatra como o médico que define e coordena o tratamento, atuando junto com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e educadores físicos. Em uma artrose de joelho, por exemplo, o ortopedista pode avaliar se há indicação de prótese, o fisiatra conduz o controle da dor e a reabilitação, e o fisioterapeuta acompanha as sessões de exercício.
Algumas condições aparecem em mais de uma especialidade. A Sociedade Brasileira de Reumatologia lista entre as doenças reumáticas a artrite reumatoide, o lúpus, a gota, as espondiloartrites, a artrose e a fibromialgia. Artrose e fibromialgia também fazem parte da rotina do fisiatra; nesses casos, reumatologista e fisiatra podem acompanhar o paciente juntos. Já o Decreto-Lei nº 938/1969 define o fisioterapeuta como profissional de nível superior e reserva a ele a execução de métodos e técnicas fisioterápicos.
Formação e título podem ser conferidos. Pela Resolução CFM nº 2.380/2024, o título de especialista vem de residência médica credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) ou de concurso da Associação Médica Brasileira (AMB) com a sociedade da especialidade. O título fica registrado no CRM como RQE, e qualquer pessoa pode consultá-lo na busca de médicos do CFM.
O fisiatra pede exames e prescreve remédios?
Sim. O fisiatra é médico e tem registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Por isso pode pedir exames, prescrever medicamentos e indicar procedimentos. A ABMFR descreve o fisiatra como o médico capacitado para prescrever exercícios, órteses, próteses e tratamentos específicos para o controle da dor.
O pedido de exame depende da suspeita. Pode ser um exame de imagem, como raio-X, ultrassom ou ressonância magnética, um exame de sangue ou um exame que avalia nervos e músculos, como a eletroneuromiografia. A receita também é individual e costuma vir acompanhada de orientação de exercício, ajustes na rotina e, quando indicado, órteses (aparelhos de apoio, como palmilhas e talas) ou procedimentos.
Muita gente chega à primeira consulta com uma pasta de exames. Nesse caso, a avaliação começa por eles: laudos e imagens são revistos junto com o exame físico, e um exame novo só é pedido quando pode mudar a conduta. O que orienta o tratamento é a soma dos exames com a sua história e com o exame físico, não um laudo isolado.
Quais condições o fisiatra trata?
O fisiatra trata condições que causam dor ou limitam movimento, força e autonomia. A ABMFR cita, entre outras, fibromialgia, lombalgia, doenças musculoesqueléticas como a artrite, lesões esportivas, lesões por esforço repetitivo, sequelas de AVC, lesão medular e amputações. Dor crônica na coluna, artrose e perda de autonomia no envelhecimento também fazem parte da rotina da especialidade.
Aqui no site, estas condições têm artigos próprios:
- Dor crônica nas costas: opções de tratamento que olham a causa, não só o sintoma.
- Fibromialgia: reabilitação e tratamento multidisciplinar para a dor difusa e as crises.
- Estenose lombar: tratamento sem cirurgia e quando a cirurgia é necessária.
- Hérnia de disco e dor ciática: tratamento sem cirurgia e quando operar é indicado.
- Artrose no joelho: exercício orientado, infiltrações e viscossuplementação.
- Reabilitação para idosos: dor, prevenção de quedas e autonomia.
Se a sua condição não está na lista, vale a mesma lógica: quando a dor ou a limitação atrapalha a rotina e não há indicação clara de cirurgia, a avaliação com o fisiatra ajuda a definir o próximo passo.
Quando procurar o fisiatra e quando procurar o ortopedista?
Vale o ortopedista quando há suspeita de fratura, lesão aguda ou necessidade de avaliação cirúrgica. Vale o fisiatra em casos de dor crônica ou fibromialgia e também em cervicalgia, artrose e dor pós-operatória, ou quando você já tentou tratamento pontual e sente que falta um plano contínuo que trate a causa, não só o sintoma.
Como é a primeira consulta com o fisiatra?
Com a Dra. Tássia Tuan, a primeira consulta dura 1 hora e tem três partes: a conversa sobre o histórico da dor e da rotina, a revisão dos exames que você já tem junto com o exame físico, e a montagem de um plano de tratamento pensado para a sua rotina. Pode ser presencial em Taubaté/SP ou por telemedicina.
1. Histórico
A consulta começa pela sua história: quando a dor começou, o que piora e o que alivia, quais tratamentos já foram tentados e o que a dor está impedindo você de fazer hoje. Sono, trabalho, atividade física e humor também entram na conversa, porque fazem parte do dia a dia que o plano precisa respeitar.
2. Exames e exame físico
Em seguida vem a revisão dos exames e laudos que você trouxer e o exame físico: postura, movimento, força, sensibilidade e testes específicos para a região da dor. É nessa etapa que se decide se é preciso um exame novo ou uma avaliação cirúrgica.
3. Plano de tratamento
No fim, você sai sabendo o que a avaliação mostrou, explicado em linguagem simples, e com um plano que pode combinar medicamentos, exercícios, fisioterapia, órteses e, quando indicado, procedimentos. O plano prevê retornos para acompanhar a evolução e ajustar o que for preciso.
Para aproveitar o tempo da consulta, leve:
- exames de imagem e laudos anteriores, mesmo os antigos;
- a lista dos remédios que você usa, com as doses;
- relatórios de fisioterapia ou de outros médicos, se tiver;
- anotações sobre quando a dor aparece e o que ela atrapalha no dia a dia.
Na telemedicina, o roteiro é o mesmo: a conversa e a revisão de exames acontecem por vídeo, e o exame físico é adaptado ao que pode ser observado pela câmera. Se for preciso um exame presencial, isso é combinado na própria consulta.
E se eu procurar o especialista errado?
Na dúvida, uma consulta com o fisiatra ajuda a esclarecer o caminho, porque a avaliação olha a dor, o movimento e os exames que você já tem. Se o seu caso pede reabilitação, ele conduz o tratamento. Se identificar necessidade cirúrgica, encaminha para o ortopedista certo, sem você perder tempo tentando adivinhar a porta.
Referências
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.380/2024, que homologa a Portaria CME nº 1/2024 (CFM, AMB e CNRM) com a relação de especialidades médicas reconhecidas, entre elas Medicina Física e Reabilitação, Ortopedia e Traumatologia e Reumatologia.
- Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR). Sobre a ABMFR e Médico fisiatra.
- Sociedade Brasileira de Reumatologia. Doenças reumáticas.
- Decreto-Lei nº 938, de 13 de outubro de 1969, que regulamenta as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. Texto no site do COFFITO.
- Conselho Federal de Medicina. Registro de Qualificação de Especialidade (RQE) e busca de médicos.