Quais são os sintomas da epicondilite lateral?
Você pega a xícara de café, aperta a mão de alguém ou gira a chave na porta e sente uma fisgada na parte de fora do cotovelo. Com o tempo, a dor aparece até para carregar uma sacola leve.
- Dor no osso saliente da parte de fora do cotovelo, que pode descer pelo antebraço.
- Piora ao segurar, apertar ou levantar objetos com a palma da mão virada para baixo.
- Fraqueza para segurar coisas, como se a mão "falhasse".
- Dor ao apertar o ponto do lado de fora do cotovelo.
- Rigidez pela manhã, que melhora com o movimento.
Formigamento na mão, inchaço, cotovelo travado ou dor depois de uma queda fogem desse padrão e pedem avaliação logo, porque a causa pode ser outra.
O que é a epicondilite lateral?
É uma lesão dos tendões que estendem o punho e os dedos, no ponto onde eles se prendem ao osso da parte de fora do cotovelo, o epicôndilo lateral. Apesar do nome com "ite", o tendão mostra mais desgaste do que inflamação: microlesões por esforço repetido que o corpo não deu conta de reparar.
O nome cotovelo de tenista engana. A maioria das pessoas com epicondilite nunca jogou tênis. Num estudo populacional finlandês publicado em 2006, 1,3% dos adultos entre 30 e 64 anos tinham a condição, com pico entre 45 e 54 anos e a mesma frequência em homens e mulheres.
O que causa a epicondilite lateral?
A causa é o uso repetido dos músculos que estendem o punho, mais do que o tendão aguenta por um período. É comum em quem digita muito, usa mouse por horas, trabalha com ferramentas, carrega peso ou faz movimentos repetidos de apertar e torcer.
O estudo finlandês também ligou a epicondilite ao tabagismo, ao sobrepeso e ao trabalho com força e movimentos repetitivos. Muitas vezes a dor começa depois de uma mudança: uma mudança de casa, um trabalho manual novo, mais horas no computador.
Quanto tempo dura a epicondilite lateral?
A maioria das pessoas melhora em até um ano. Num ensaio clínico publicado em 2002 no Lancet, depois de 52 semanas, 91% dos que fizeram fisioterapia e 83% dos que só esperaram estavam bem.
Um ano é muito tempo convivendo com dor para trabalhar e segurar objetos. O tratamento serve para encurtar esse caminho e evitar que a dor volte.
O que é bom para tratar a epicondilite lateral?
O tratamento que sustenta a melhora combina ajuste de carga e exercício. Os principais passos:
- Reduzir por um tempo o esforço que provoca a dor, sem imobilizar o braço.
- Exercícios de fortalecimento dos músculos do antebraço, com carga progressiva.
- Fisioterapia com terapia manual no cotovelo nas fases de dor mais forte.
- Braçadeira para epicondilite, a fita logo abaixo do cotovelo, como apoio nas atividades que doem.
- Ajuste do posto de trabalho: altura da mesa, mouse e teclado.
- Analgésico ou anti-inflamatório por poucos dias nas crises, com orientação médica.
Num ensaio clínico de 2006 publicado no BMJ, a fisioterapia com exercício e terapia manual foi melhor que esperar nas primeiras seis semanas e melhor que a infiltração depois disso. Quem fez fisioterapia também precisou de menos anti-inflamatório.
Quais exercícios ajudam no cotovelo de tenista?
O exercício base é o fortalecimento dos músculos que estendem o punho. Um roteiro simples para começar, ajustado na consulta:
- Isométrico: com o antebraço apoiado na mesa e a palma para baixo, empurre o dorso da mão contra a outra mão, sem mexer o punho. Segure 30 segundos, 5 vezes.
- Fortalecimento: com uma garrafa de água na mão e o antebraço apoiado, levante o punho e desça devagar, contando 3 segundos na descida. Faça 3 séries de 15.
- Alongamento: braço esticado à frente, palma para baixo, puxe a mão para baixo com a outra mão até sentir o antebraço. Segure 30 segundos, 3 vezes.
Um desconforto leve durante o exercício é esperado. Se a dor fica forte ou está pior no dia seguinte, diminua a carga.
A infiltração de corticoide vale a pena?
Ela alivia rápido, mas os estudos mostram um preço a médio prazo. No estudo do Lancet, a infiltração teve 92% de sucesso em seis semanas, mas muitos voltaram a sentir dor depois. Em um ano, ficou atrás da fisioterapia.
Um ensaio clínico publicado em 2013 no JAMA comparou a infiltração de corticoide com uma injeção de placebo. Em um ano, 83% dos que receberam corticoide estavam recuperados, contra 96% no placebo. A dor voltou em 54% de quem recebeu corticoide e em 12% de quem recebeu placebo.
Por isso a infiltração fica para situações específicas, como uma crise que impede de trabalhar, e não deve ser repetida.
Ondas de choque funcionam para epicondilite?
Funcionam, principalmente na dor que já passou de alguns meses. Uma revisão de 2024 comparou as ondas de choque com a infiltração de corticoide: a infiltração aliviou mais no primeiro mês, e as ondas de choque tiveram menos dor e mais força de preensão em 3 e 6 meses.
A aplicação é feita no consultório, sem corte e sem anestesia, em geral de três a cinco sessões semanais, sempre junto com os exercícios. Os detalhes estão na página sobre a terapia por ondas de choque em Taubaté.
Quais são as opções de tratamento da epicondilite?
A tabela resume para que serve cada opção e o que os estudos mostram sobre ela.
| Opção | Para que serve | O que os estudos mostram |
|---|---|---|
| Ajuste de carga | Tira por um tempo o esforço que provoca a dor. | Base de qualquer tratamento. A maioria melhora em até um ano. |
| Exercício e fisioterapia | Fortalece os tendões do antebraço e reduz a dor. | Melhor que esperar no início e que a infiltração depois de seis semanas. |
| Braçadeira | Alivia a carga no tendão durante as atividades. | Apoio, sem efeito comprovado como tratamento único. |
| Anti-inflamatório | Alivia a dor por alguns dias. | Só nas crises, por pouco tempo. |
| Terapia por ondas de choque | Estimula o reparo do tendão e reduz a dor. | Melhor que a infiltração com 3 e 6 meses. |
| Infiltração de corticoide | Alívio rápido. | Melhor nas primeiras semanas, mas com mais recaída e pior resultado em um ano. |
| Cirurgia | Trata o tendão lesionado. | Exceção, depois de 6 a 12 meses de tratamento bem feito sem melhora. |
Quando a epicondilite é grave?
A epicondilite não é grave no sentido de causar dano permanente, mas pode atrapalhar muito o trabalho. Procure avaliação logo se houver formigamento ou perda de força na mão, cotovelo inchado ou travado, dor depois de queda ou dor que não melhora depois de três meses de cuidado.
A cirurgia é rara. Fica para quem passou de 6 a 12 meses de tratamento bem conduzido sem melhora.
E a epicondilite medial, o cotovelo de golfista?
É o mesmo tipo de lesão, mas do lado de dentro do cotovelo, nos tendões que dobram o punho. Dói ao segurar e apertar objetos e ao dobrar o punho com força. É menos comum: no estudo finlandês, afetava 0,4% dos adultos. O tratamento segue a mesma lógica, com ajuste de carga e exercício.
Onde tratar epicondilite em Taubaté?
A Dra. Tássia Tuan atende no consultório em Taubaté, na R. Argentina, 75, Jardim das Nações, e recebe pacientes de todo o Vale do Paraíba. As sessões de ondas de choque são feitas ali. Se você mora longe, a primeira avaliação pode ser por telemedicina, e o plano de exercícios começa em casa.
Perguntas frequentes
Epicondilite lateral tem cura?
Tem. A maioria das pessoas melhora em até um ano, e o tratamento com exercício e, quando indicado, ondas de choque encurta esse tempo e reduz a chance de a dor voltar.
Quanto tempo demora para curar o cotovelo de tenista?
Na maioria dos casos, de alguns meses a um ano. Nos estudos, 83% a 91% das pessoas estavam bem depois de um ano.
Braçadeira para epicondilite funciona?
Ajuda como apoio nas atividades que doem, aliviando a carga no tendão. Sozinha, não trata a epicondilite. Funciona melhor junto com os exercícios.
Posso continuar trabalhando e indo à academia?
Na maioria dos casos, sim, com ajustes. Repouso total não ajuda. Vale reduzir por um tempo os movimentos que provocam dor, como pegada forte e exercícios de puxar, e combinar a carga na consulta.
Infiltração resolve epicondilite?
Alivia rápido, mas os estudos mostram mais recaída e pior resultado em um ano do que sem a infiltração. Ela fica para casos específicos e não deve ser repetida.