O que é dor pós-operatória crônica?

Dor pós-operatória crônica é a dor que surge ou aumenta depois de uma cirurgia e persiste além da cicatrização, por pelo menos três meses. É a definição da IASP, a associação internacional que estuda a dor, adotada na CID-11. Antes disso, esse diagnóstico não existia na classificação.

O artigo da IASP que apresenta a nova classificação, publicado na revista Pain em 2019, descreve o quadro como pouco reconhecido e, por isso, pouco tratado. O diagnóstico existe para que essa dor seja identificada e receba cuidado próprio. A mesma classificação inclui a dor que persiste depois de um trauma.

Esse critério conversa com o conceito de dor crônica: dor que persiste ou volta por mais de três meses. Aqui, o ponto de partida é uma cirurgia.

Dor esperada depois da cirurgia ou dor crônica?

A dor esperada diminui à medida que o corpo cicatriza. A dor crônica persiste ou aumenta depois que a cicatrização termina. Passados três meses, a dor deixa de ser parte normal da recuperação e merece uma avaliação própria, com diagnóstico e plano de tratamento.

Dor esperada depois da cirurgia e dor pós-operatória crônica: diferenças
CritérioDor esperada após a cirurgiaDor pós-operatória crônica
TempoAcompanha a cicatrização.Persiste por três meses ou mais.
EvoluçãoMelhora aos poucos.Persiste ou aumenta de intensidade depois da cirurgia.
MecanismoLesão do tecido pela operação.Frequentemente com componente neuropático, por lesão de nervos.
CondutaOrientações da equipe cirúrgica.Avaliação da dor e plano de tratamento próprio.

Fonte: IASP, Pain 2019 e Kehlet e colegas, Lancet 2006.

Fluxograma: cirurgia, dor esperada que melhora com a cicatrização, dor que persiste por três meses, avaliação do tipo de dor e dos fatores de risco, e plano multimodal com reabilitação, medicamentos, apoio psicológico e procedimentos quando indicados.
Da cirurgia ao plano de tratamento: o que acontece quando a dor passa de três meses.

Com que frequência a dor da cirurgia vira crônica?

A dor persistente é frequente em algumas operações. Uma revisão publicada no Lancet em 2006 aponta que a dor aguda é seguida de dor persistente em 10% a 50% das pessoas depois de operações comuns, como reparo de hérnia inguinal, cirurgia de mama e de tórax, amputação de perna e ponte de safena.

O percentual muda conforme o tipo de cirurgia.

Por que a dor continua depois da cirurgia?

Não há uma causa única. A revisão do Lancet aponta a dor neuropática de origem cirúrgica, por lesão de nervos, como provavelmente a causa mais importante da dor de longa duração depois da operação. Outros mecanismos também participam, e a ciência ainda não os explica por completo.

Quando há queimação, choque, formigamento ou sensibilidade aumentada ao toque perto da cicatriz, a suspeita é de dor neuropática. O artigo sobre dor neuropática explica esse tipo de dor e como ele muda o tratamento.

Quais são os fatores de risco para dor crônica depois de operar?

Os fatores de risco mais consistentes são a dor antes da cirurgia, a depressão, a ansiedade e a tendência a catastrofizar a dor. É o que mostra a revisão de revisões de Sydora e colegas, de 2024, que reuniu estudos de vários tipos de cirurgia.

Os autores destacam que muitos desses fatores são modificáveis. Terapia cognitivo-comportamental e terapia de aceitação e compromisso aparecem como intervenções possíveis.

Como é a avaliação da dor depois da cirurgia?

A avaliação começa pela história da cirurgia. A Dra. Tássia pergunta que operação foi feita, quando, como a dor começou e como ela evoluiu. Em seguida, examina a cicatriz, a região ao redor, a força, a sensibilidade e a mobilidade, e revê relatórios e exames de imagem.

A primeira consulta dura 1 hora. A Dra. Tássia é médica fisiatra, com pós-graduação em Medicina da Dor pela USP/HC.

Qual é o tratamento da dor pós-operatória crônica?

O tratamento é multimodal. Combina reabilitação, medicamentos, apoio psicológico e, quando indicado, procedimentos. Um artigo de Kehlet de 2019 no Canadian Journal of Pain cita o serviço de dor transicional de Toronto como exemplo de modelo multidisciplinar.

Cada plano depende do tipo de cirurgia, do tipo de dor e do que você já tentou. Não há resultado garantido, e o plano é revisto a cada retorno.

Há procedimentos para dor pós-operatória crônica?

Alguns casos pedem procedimentos. O procedimento é definido pela Dra. Tássia após a avaliação na consulta e, quando indicado, pode ser realizado no mesmo dia. O procedimento é cobrado separadamente da consulta. A página de procedimentos para dor em Taubaté reúne as opções.

Como agendar a consulta?

O atendimento é presencial em Taubaté ou on-line. O consultório fica na R. Argentina, 75, Jardim das Nações, Taubaté/SP, e atende de segunda a sexta, das 8h às 17h. Há ainda atendimento domiciliar no Vale do Paraíba e telemedicina para todo o Brasil.

A consulta on-line é realizada pelo Zoom. Ao final, a prescrição é emitida em receituário eletrônico e enviada por WhatsApp ou e-mail.

Leve o relatório da cirurgia, os exames de imagem e a lista dos remédios que você usa. Veja também o perfil da fisiatra em Taubaté.

Perguntas frequentes

Depois de quanto tempo a dor da cirurgia é considerada crônica?

Depois de três meses. Pela IASP, a dor pós-operatória é crônica quando surge ou aumenta depois da cirurgia e persiste além da cicatrização, por pelo menos três meses.

Dor crônica depois da cirurgia significa que algo deu errado?

Não necessariamente. É uma complicação conhecida: segundo uma revisão publicada no Lancet, a dor persistente aparece em 10% a 50% das pessoas depois de operações comuns. Vários mecanismos contribuem, e a lesão de nervos é provavelmente a causa mais importante.

Quem tem mais risco de dor crônica depois de operar?

Uma revisão de revisões de 2024 aponta como fatores mais consistentes a dor antes da cirurgia, a depressão, a ansiedade e a tendência a catastrofizar a dor. Obesidade e outras doenças também entram na lista.

A dor depois da cirurgia pode ser neuropática?

Pode. A lesão de nervos durante a operação é uma das causas mais importantes de dor persistente. Queimação e sensibilidade aumentada ao toque levantam essa suspeita, e a avaliação confirma o tipo de dor.

Posso fazer a primeira consulta por telemedicina?

Sim. A consulta on-line é realizada pelo Zoom. Ao final, a prescrição é emitida em receituário eletrônico e enviada por WhatsApp ou e-mail.