O que é a neuropatia diabética?
É o dano aos nervos periféricos causado pelo excesso de glicose no sangue ao longo dos anos. O tipo mais frequente é a polineuropatia distal simétrica: atinge os dois lados ao mesmo tempo e começa pela ponta dos pés, onde estão os nervos mais longos do corpo.
A Associação Americana de Diabetes (ADA) descreve as neuropatias como as complicações crônicas mais comuns do diabetes, e lembra que muitas pessoas não sentem nada no começo (declaração da ADA publicada na Diabetes Care em 2017). Por isso o exame dos pés faz parte da rotina de quem tem diabetes, mesmo sem queixa.
Neuropatia diabética é o mesmo que neuropatia periférica?
Não exatamente. Neuropatia periférica é o nome geral para qualquer lesão dos nervos que ficam fora do cérebro e da medula. O diabetes é a causa mais comum, mas não a única. Falta de vitamina B12, excesso de álcool, doenças da tireoide, alguns remédios de quimioterapia e doenças autoimunes causam um quadro parecido.
Por isso, mesmo em quem tem diabetes, a investigação confere se não há outra causa somada. Tratar a falta de B12, por exemplo, muda a evolução. A página sobre dor neuropática explica as outras causas de dor nos nervos.
Quais são os sintomas nos pés?
Os sintomas costumam começar nos dedos e na sola dos dois pés, e pioram à noite.
- Formigamento, agulhadas ou sensação de pé dormente.
- Queimação ou frio doloroso na pele.
- Choques que surgem sem aviso e passam rápido.
- Dor com o toque do lençol ou da meia.
- Perda de sensibilidade: a pessoa não percebe um corte, uma bolha ou o sapato apertando.
- Desequilíbrio, principalmente no escuro, e tropeços.
O último par de itens é o mais perigoso. Sem dor, uma ferida pequena passa despercebida e pode infeccionar. Sem a noção de onde está o pé, o risco de queda aumenta.
| Tipo de nervo afetado | O que a pessoa sente | Por que importa |
|---|---|---|
| Fibras finas (dor e temperatura) | Queimação, choques, dor ao toque. | É a parte que mais tira o sono. |
| Fibras grossas (tato, vibração e posição) | Dormência, pé “de algodão”, desequilíbrio. | Aumenta o risco de queda. |
| Perda da sensibilidade protetora | Não sente corte, bolha ou calo. | Aumenta o risco de ferida e de amputação. |
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e começa pelo exame dos pés. O exame testa a sensibilidade com um monofilamento de 10 gramas, a vibração com um diapasão de 128 Hz, a percepção de dor e de temperatura e o reflexo do tornozelo. Também avalia a pele, as unhas, os calos, o formato do pé e os pulsos.
Os exames de sangue procuram causas que se somam ao diabetes, como falta de vitamina B12 (mais comum em quem usa metformina há anos), alterações da tireoide e da função dos rins. A eletroneuromiografia fica para os casos fora do padrão: sintomas de um lado só, fraqueza importante ou piora rápida.
A ADA recomenda procurar a neuropatia já no diagnóstico do diabetes tipo 2, cinco anos depois do diagnóstico do tipo 1 e, a partir daí, pelo menos uma vez por ano (Standards of Care in Diabetes 2026, seção 12).
Neuropatia diabética tem cura?
A lesão do nervo costuma não regredir por completo, mas dá para frear a piora e controlar a dor. No diabetes tipo 1, o bom controle da glicose previne ou atrasa a neuropatia. No tipo 2, o efeito é menor, mas o controle ainda ajuda a desacelerar a progressão. Pressão, colesterol, peso e cigarro também entram na conta.
Como tratar a dor da neuropatia diabética?
A dor da neuropatia tem remédios próprios. Analgésicos comuns e anti-inflamatórios costumam ajudar pouco nesse tipo de dor. A diretriz do grupo de dor neuropática da IASP (NeuPSIG), atualizada em 2025 por Soliman e colegas na revista Lancet Neurology, organiza as opções em três linhas:
| Linha | Opções | Força da recomendação |
|---|---|---|
| Primeira | Antidepressivos tricíclicos, antidepressivos que agem em serotonina e noradrenalina (como a duloxetina) e gabapentinoides (pregabalina, gabapentina). | Forte |
| Segunda | Emplastro de capsaicina a 8%, creme de capsaicina e emplastro de lidocaína a 5%. | Fraca |
| Terceira | Toxina botulínica A, estimulação magnética transcraniana e opioides. | Fraca |
A ADA segue a mesma linha para a neuropatia do diabetes e não recomenda opioides como primeira nem como segunda opção. A escolha depende das outras doenças, dos remédios que a pessoa já usa e dos efeitos colaterais de cada classe. Dose e combinação ficam com a médica, e nenhum desses remédios deve ser ajustado por conta própria.
Exercício ajuda na neuropatia diabética?
Ajuda, com cuidado. O exercício melhora o controle da glicose, a força das pernas e o equilíbrio, e reduz o risco de queda. Caminhada, bicicleta, hidroginástica e treino de força servem para a maioria das pessoas. Os cuidados mudam o jeito de fazer:
- Use tênis fechado e meia sem costura.
- Olhe os pés depois de cada treino.
- Com ferida aberta ou pé deformado, espere a liberação médica antes de caminhar longas distâncias.
- Inclua exercícios de equilíbrio, que costumam ficar de fora dos treinos comuns.
A página de reabilitação para idosos em Taubaté trata do risco de queda com mais detalhe.
Como evitar feridas nos pés?
O cuidado diário com o pé evita a maior parte das feridas. As diretrizes práticas do grupo internacional de pé diabético (IWGDF, 2023) recomendam ensinar esse cuidado a toda pessoa com risco de ferida.
- Olhe os pés todos os dias, inclusive a sola e entre os dedos. Use um espelho ou peça ajuda.
- Não ande descalço, nem dentro de casa.
- Teste a água do banho com o cotovelo ou com um termômetro, nunca com o pé.
- Seque bem entre os dedos e hidrate o resto do pé.
- Corte as unhas retas e não tire calos por conta própria.
- Use sapato confortável, que não aperte, e confira se não há nada dentro antes de calçar.
Quando procurar atendimento no mesmo dia?
Procure atendimento no mesmo dia se aparecer qualquer um destes sinais:
- Ferida, bolha ou corte que não melhora em poucos dias.
- Pé vermelho, quente e inchado, mesmo sem dor.
- Febre junto com uma ferida no pé.
- Fraqueza que surge de repente numa perna ou num braço, ou a boca torta. Nesse caso, ligue para o SAMU (192), porque pode ser AVC.
Como a fisiatra acompanha a neuropatia diabética?
O fisiatra cuida da dor e da função. Na consulta com a Dra. Tássia Tuan, a avaliação junta o histórico, o exame dos pés e da sensibilidade e a revisão dos remédios e dos exames. O plano costuma combinar remédio para a dor neuropática, exercício de força e de equilíbrio e orientação sobre o cuidado com os pés. O controle da glicose segue com o médico que acompanha o diabetes.
Para o exame dos pés, a consulta presencial no consultório em Taubaté é o melhor caminho. Por telemedicina, a Dra. Tássia revê os sintomas, os exames e os remédios, e os retornos podem seguir on-line. Veja como funciona o atendimento na página fisiatra em Taubaté.
Perguntas frequentes
O que é neuropatia diabética?
A neuropatia diabética é a lesão dos nervos causada pelo diabetes. A forma mais comum começa nos dedos dos pés e sobe pelas pernas, com formigamento, queimação, choques e dormência.
A neuropatia diabética aparece só nos pés?
Não. A forma mais comum começa nos pés e, com o tempo, pode chegar às mãos. Há também formas que atingem os nervos de órgãos, como o estômago, o coração e a bexiga.
Qual médico trata neuropatia diabética?
O controle do diabetes fica com o endocrinologista ou o clínico. A dor, o equilíbrio e a função podem ser tratados pelo fisiatra, junto com esse acompanhamento.
Por que a dor da neuropatia piora à noite?
À noite há menos coisas que desviam a atenção da dor, e o contato com o lençol pode provocá-la. Por isso a queixa de sono ruim é tão comum em quem tem neuropatia.
Quem tem neuropatia diabética pode fazer exercício?
Pode, com tênis fechado, meia sem costura e inspeção dos pés depois de cada treino. Com ferida aberta ou pé deformado, a liberação é médica.